Transformação digital e bem-estar laboral: o impacto psicossocial da adoção de algoritmos no trabalho
Palavras-chave:
bem-estar laboral, gestão algorítmica, riscos psicossociais, transformação digital, liderança organizacionalResumo
Este artigo examina as consequências psicossociais da adoção de sistemas algorítmicos na gestão de equipes de trabalho. A transformação digital das organizações não se limita à incorporação de novas ferramentas informáticas: modifica de raiz a relação entre empregadores e empregados, redistribui o poder dentro da empresa e altera a maneira como as pessoas experimentam a autonomia, o reconhecimento e o sentido de sua tarefa diária. A partir de uma revisão integrativa da literatura sobre sociologia do trabalho, psicologia organizacional e gestão de recursos humanos, o trabalho analisa como a supervisão algorítmica afeta o bem-estar dos trabalhadores e quais capacidades organizacionais permitem atenuar seus efeitos mais nocivos. Recorre-se a marcos teóricos consolidados, entre eles a teoria da autodeterminação, o modelo de demandas e recursos laborais e os estudos sobre capitalismo de plataformas, para mostrar que a eficiência operacional prometida pela automação da gestão costuma ser obtida à custa da autonomia, da saúde mental e da coesão das equipes. O artigo conclui que a sustentabilidade da transformação digital depende de as organizações desenvolverem mecanismos de transparência algorítmica, canais efetivos de participação dos trabalhadores e estilos de liderança capazes de mediar entre as métricas do sistema e as necessidades concretas das pessoas.
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